sexta-feira, 29 de abril de 2011

Das lembranças...




Houve um tempo em que eu gostava de ficar em casa. Adorava minhas paredes brancas, cheias de espaço para criar novas lembranças. Ah, as lembranças! Elas me perseguem. Não adiantou nada mudar as paredes, os móveis, a casa. Elas teimam em aparecer. E são bem mal-educadas essas danadas! Nunca são convidadas mas, metem o pé na porta e se instalam pelos cantos em branco e enchem minha cabeça do que poderia ser. Mas não é. E nem vai ser. Borram tudo. E nunca consigo começar os novos rabiscos por conta dessas lembranças. Malditas lembranças. Eu tenho tentado com muito afinco, é verdade. Alguns dias chego até a esquecer de quem fui. Outros tantos, lembro-me de como fui e choro. Lembro-me de como fui feliz, como fui boba, como fui tonta, como fui apaixonada... Hoje sou uma pessoa desconfiada e até amarga. Completamente diferente do que era, quando ainda inocente, conheci o amor e todas as suas faces. Embora, só uma tenha me marcado. A face do amor que machuca, que maltrata, que magoa. A face do amor que me impede de ver a outra face. Aquela que é boa, que revigora, que enche o coração de paz.  Mas um dia essa versão vai se apresentar a mim e aí sim, eu começarei denovo, do zero, novos rabiscos, novas histórias, novas lembranças... 



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